O Adeus ao patriarca Antônio Guedes da Silva, aos 85 anos, guardião da memória viva da família Guedes Borborema em Prado

Antônio Guedes, foi um sábio pela inteligência rural singular e memória admirável.
Guardião de uma linhagem iniciada em 1612 na foz do Rio Imbassuaba, produtor rural e símbolo de sabedoria ancestral, Antônio Guedes, foi sepultado no final da tarde desta sexta-feira, dia 27 de fevereiro, sob inúmeras homenagens – ele parte deixando um legado de 850 descendentes dos Guedes Borborema numa única foz, histórias vivas e raízes profundas fincadas na cultura e na memória das terras do Imbassuaba e do Cahy.
O entardecer desta última quinta-feira (26/02/2026) silenciou de forma definitiva uma das vozes mais respeitadas da foz do Rio Imbassuaba, no litoral norte de Prado. Em sua propriedade rural, adjacente ao distrito de Cumuruxatiba, faleceu o produtor rural Antônio Guedes da Silva, atual patriarca da tradicional família Guedes Borborema. Ele completaria 86 anos no próximo dia 4 de abril. Partiu em casa, cercado pelo chão que amou e pela paisagem que ajudou a preservar, um dia após receber alta hospitalar.
Nascido em 4 de abril de 1940, na fazenda Aíriz, na Foz do Rio Cahy – propriedade de seus pais -, seu Antônio cresceu entre o rio, a mata e as histórias de bravura que moldaram a linhagem familiar. Desde 1944 residia na propriedade onde os Guedes estão radicados desde 1612, reconhecidos como a família aborígene de árvore genealógica mais preservada, numerosa e antiga do município de Prado. Ele era o mais velho dos 20 filhos do casal de bandeirantes Lúcio Guedes da Silva e Madalena Nunes Borborema, nomes que se confundem com a própria ocupação histórica da região.

Foi-se o homem Antônio Guedes ou simplesmente “Tonho” mas ficou um legado grandioso de história e tradição.
Deixou viúva Angelita Miranda da Silva, indígena com quem construiu um casamento de 57 anos, um companheiro até o último suspiro, o casal teve 6 filhos, além de ter deixado 10 netos. A união foi símbolo de resistência, prosperidade e continuidade de uma linhagem “Guedes Borborema” que hoje soma cerca de 850 familiares radicados na foz do Rio Imbassuaba, no entanto, considerando suas ramificações, trata-se da maior família da costa do descobrimento entre os municípios de Santa Cruz Cabrália, Porto Seguro e Prado, com quase 6 mil integrantes.
No final do mês passado, em 28 de janeiro, seu Antônio Guedes da Silva já havia sentido o peso da despedida ao perder a sua penúltima tia materna, Cacilda Borborema, outra bandeirante que formou numerosa descendência na região do Riacho das Ostras, também no município de Prado. A morte de Antônio Guedes da Silva ocorreu após uma recaída, um dia depois de ter recebido alta do Hospital de Base Costa das Baleias, em Teixeira de Freitas, onde permaneceu internado por 14 dias para o tratamento de três carcinomas basocelular decorrentes de uma remoção dermatologista. Voltou para casa, para o seu território de raízes profundas, e ali encerrou sua jornada – como quem escolhe repousar exatamente onde a própria história começou.
Considerado o mais velho e também o mais sábio da família Guedes Borborema, Antônio Guedes da Silva era homem da roça que apreciava bons livros, dono de memória afiada e de uma inteligência rural singular. Narrador de causos, intérprete das estações, conselheiro natural das novas gerações, tinha uma forma admirável de enxergar o mundo – misto de simplicidade, firmeza e visão histórica. Com sua partida, o papel patriarcal da família passa a ser assumido pelos dois irmãos mais velhos dos 13 vivos, dentre os 20 filhos que teve o casal Lúcio e Madalena: Valdomiro Guedes da Silva, de 82 anos, e Maria Borborema da Silva, de 83.

Nesta FOTO de uma reuniãozinha de família, Antônio Guedes aparece em primeiro plano de chapéu, ao lado da sua esposa Angelita – ele foi um visionário pela forma ampla e histórica com que enxergava o mundo e o futuro dos seus familiares.
Seu Antônio não era apenas um produtor rural. Era um arquivo vivo, um elo entre séculos, um guardião das tradições pradenses. Sua ausência deixa silêncio na varanda, mas sua presença permanece entranhada na cultura, na história e nas terras do litoral norte do município de Prado – como raiz que não se arranca, apenas se aprofunda na memória coletiva. Centenas e centenas de pessoas passaram por sua residência para levar lhe seu último Adeus, o velório ainda teve passagem pela Igreja de Nossa Senhora Aparecida, na própria comunidade dos Guedes Borborema para missa de corpo presente e, o sepultamento ocorreu às 17h, desta sexta-feira (27, no Cemitério Campo Santo, no distrito de Cumuruxatiba.

