publicidade

Eclipse total no céu: falece professor Benedito Pereira Ralile

O professor Benedito Pereira Ralile foi uma das figuras públicas mais aplaudidas da história de Itamaraju. Nasceu em Caravelas em 19 de junho de 1921. Foi um bandeirante do direito e da justiça no extremo sul da Bahia, como advogado pioneiro, precursor do magistério, transmitindo saber e educando, dirigindo estabelecimentos de ensino e implantando novos cursos, fazendo acontecer nos tribunais do júri e nas tribunas maçônicas, empolgando nas comemorações cívicas da semana da pátria, contornando situações e promovendo apaziguamentos, aconselhando e praticando filantropia.

Na sabedoria, ele puxou o seu avô paterno, o escritor Firmino Pereira. Quando adolescente foi estudar em Teófilo-Otoni, onde cursou História Geral. Mas foi em Caravelas que ele começou a escrever a sua história como professor e onde fundou os principais colégios tradicionais da cidade. Em Itamaraju foi professor de notório saber e fundou as escolas Augusto Carvalho e Visconde do Cairú, criou os cursos de contabilidade, administração e o magistério. Foi também fundador em Itamaraju, da Loja Maçônica Deus Caridade e Justiça, e do Rotary Clube.

Em Itamaraju foi mestre de ilustres filhos da terra, dentre eles: o advogado Roberto Rodrigues, tabelião Geraldo Rodrigues, professora Olga Polon, professora Vilma Ramos, advogada Lucélia de Almeida Andrade, advogada Tânia Almeida, a médica Miraci Moutinho, dentre tantos outros que se orgulham de carregar no currículo o seu nome como mestre.

Foi primeiro casado com Marli Ralile, com a qual teve 5 filhos: Eunice, Tanos, Petrônio, Wellington e Roberto Ralile. No seu segundo casamento com Dilza Machado Ralile, teve duas filhas adotivas: Ana e Simone. Antes, no entanto, namorou com Maria Helena e deste relacionamento nasceu Carlos Benedito de Souza, um intelectual como o pai e presidente da Fundação Benedito Pereira Ralile. Mais tarde, Carlos lhe deu uma neta, a jornalista Scheilla Franca de Souza, mestra e doutora em jornalismo cientifico.

Em 2006, o filho Carlos Souza e sua filha Scheilla Souza, escreveram o livro “Relatos Históricos de Caravelas” em homenagem ao pai e avô Benedito Pereira Ralile. Ele deixou cerca de 12 netos e 16 bisnetos, a maioria residindo em Itamaraju e todos herdaram a inteligência do avô, muitos ocupando altos cargos na comunidade jurídica e no magistério, muitos deles já são especialistas, mestres, doutores e até pós-doutores.

Ele era católico praticante e devoto de Nossa Senhora Aparecida e foi justamente no dia da padroeira do Brasil que ocorreu o seu passamento aos 63 anos de idade. A lacuna deixada com o seu falecimento no dia 12 de outubro de 1984, foi uma longa e imensurável cratera. Submetido as três rigorosas intervenções cirúrgicas, na tentativa extrema de lhe evitarem a transferência para o Oriente Eterno, a sua partida foi inevitável.

Contou na época a sua companheira, dona Dilza Ralile, que no seu momento chegado, ao meio-dia em ponto daquela sexta-feira, ele despediu-se dela dizendo: “Muito Obrigado por tudo… estou penetrando no reino do senhor, livre e redimido”. Ao anunciar a sua morte na ocasião, o jornalista João Araújo, estampou no Jornal Independente, a seguinte manchete: “Eclipse total no céu: falece professor Benedito Pereira Ralile”. Em 2011, o Poder Legislativo concedeu em celebração a memória do professor Benedito Pereira Ralile, o Título de Cidadao Honorário de Itamaraju, entregue durante uma belíssima cerimônio aos seus familiares.

publicidade